sábado, 4 de março de 2017

ORIGEM DA CIDADE DE PINHEIRO A PRINCESA DA BAIXADA MARANHENSE,

ORIGEM DA CIDADE DE PINHEIRO A PRINCESA DA BAIXADA MARANHENSE, ONDE NASCEU SARNEY.

SANTO INÁCIO DO PINHEIRO (MUNICÍPIO DE PINHEIRO – MA)
População estimada 2016 (1)81.924
População 201078.162
Área da unidade territorial 2015 (km²)1.512,965
Densidade demográfica 2010 (hab/km²)51,67
Código do Município2108603
Gentílicopinheirense
Prefeito 2017                                                               João Luciano Genésio Silva Soares
Santo Inácio de Pinheiro — Freguesia e Vila, pertencente ao município de São José de Guimarães, à beira do Lago Pinheiro. Este lugar da Comarca de Guimarães teve principio há 16 anos a construção de umas palhoças para arrecadar os gêneros dos lavradores aí situados. Este lugar foi escolhido em uma península plana, circundada de Norte a Sul até o Lago Cajari, pelos campos de Pericuman ou Pericumã, tão férteis e tão lindos. Pericumã, Etimologicamente decompondo-se este nome vê-se que é composto de Peri, lugar pantanoso e abundante de juncos, , roça, e que indica exclamação, o que tudo importa no mesmo dizer — oh! Roça de alagadiçoEste lago é terminado ao Norte e Oeste pelo distrito de Santa Helena, a Leste e Sul pelo de São Bento, a Sul e Sudeste, pelo de Viana, e tem a forma de um trapézio e 12 léguas de comprimento. Tem em frente dois grandes lagos, além de outros menores abundantes de peixe.  O Dr. Antônio Pedro da Costa Ferreira, em 28 de junho de 1826, como membro do Conselho da Província disse que esta Vila se compunha de 300 a 400 almas; “este infeliz povo paga dízimos, e não tem uma igreja, não tem um cura, não tem um mestre de primeiras letras, e só lhe tem tocado até o presente na nossa sociedade a mísera partilha de nascer, sofrer e morrer”, pelo que pedia ao Conselho que “coadjuvasse com uma porção de dinheiro, que estava à sua disposição, a edificação das igreja, a que aqueles povos deram o começo, e que desse aos mesmos um cura.” Convém saber-se que o cidadão João Barreiros e outros da povoação — tinham construído (sem prévia licença do Ordinário) um oratório público na dita povoação por causa da distância em que ficava da matriz e requereram licença para benzê-lo. O Vigário capitular por Provisão de 09 de agosto de 1826 confirmou a criação feita, e foi bento o oratório a 03 de janeiro de 1828, pelo Padre Raimundo José de Assunção, e deu-se licença para nele se celebrar missa a 30 de julho do mesmo ano.
Freguesia. —  Pelo Artigo 04 da Lei nº 370 de 26 de maio de 1855 foi aí criada uma freguesia, embora a Câmara Municipal de Alcântara, em 24 de maio de 1826, tivesse representado ao Presidente, então o Marechal-de-Campo Manuel da Costa Pinto a necessidade de criar-se não só esta como também a freguesia de São João de Côrtes.
Vila — Quando contava 30 casas de telha e 65 de palha, edificadas em três ruas principais, foi pela Lei provincial nº 439 de 03 se setembro de 1859, foi elevada à categoria de Vila. Esta Vila foi fundada pelo Capitão-Mor Inácio José Pinheiro, que depois de certa idade engordou tanto a ponto de não poder andar senão carregado em rêde. Uma ocasião um dos carregadores da rêde escorregou e o velho Pinheiro bateu com as nádegas no chão e ficou-se chamando o lugar onde o velho caiu — O Quebra-Bunda. Esse lugar é bem fronteiro à Vila, muito perto dela. Presentemente tem 128 casas, sendo 35 de telha. Em 1857 foi desmembrada da Vila de Santa Helena. Tem uma cadeira de primeiras letras para o sexo masculino e outra para o feminino, poucas casas de negócio de secos e molhados, algumas tendas de ofícios e artes. Plantam-se algodão, arroz, milho, etc., etc. Cria-se em pequena escala o gado vacum. Além da Vila tem estes povoados: Macapazinho, Pau-Furado, Ribeirão, Três Furos, Galiza, Pacas.
Estatística — Em novembro de 1820 tinha 5 fogos e 23 almas, e todo o Distrito 200 pessoas. Havia uma capela sem ser coberta, um Juiz vintenário, e um Capitão-do-Mato por comandante (Itinerário).  População em 1880 era: livres 3.185, escravos 1.629. Atualmente consta a sua população de 1.814 almas, sendo 3.185 pessoas livres e 1.620 escravos. A sua produção média anual consta de 10.000 alqueires de farinha, 5.000 de milho, 1.800 de arroz, 200 de sementes de mamona ou carrapato, 3.000 arrôbas de açúcar e 800 sacas de algodão. Conta 4.200 cabeças de gado, que produzem 1.500 bezerros, 8 engenhos para o fabrico do açúcar, aguardente, mel e rapadura e 20 fazendas de lavoura de vários gêneros. Lê-se no Itinerário já citado várias vezes: “O Lago do Pinheiro, que se atravessa de necessidade para seguir ao Pericumã, e passar todos os gêneros, e que podia ser de uma riqueza imensa para aqueles povos, é causa do atrasamento e pobreza da povoação, e a sua vista e navegação são horrorosas. Ele está ao Nordeste da povoação, e vai rodeando pelo sudeste indo comunicar e acabar no Lago Tarira, ao Nordeste, e a 700 braças da chamada Vila de Anadia.”  “Nesse Lago a sua maior largura Nordeste, Sudeste é a de légua e meia próximadamente mas seu comprimento é composto de uma união de pequenos lagos até encontrar o Lago Tarira, que fica próximo de Anadia, e são todos estes lagos as cabeceiras do Rio Pericumã. Todo o lago é coberto de um forte tecido de capim à superfície, chamado arroz bravo, e de um arbusto aquático, que com tal união entrelaçam horizontalmente suas raízes, e a tal ponto de consistência, que por cima se anda de pé, impedindo a livre corrente das águas, a necessária navegação, faltando o peixe, e aumentando-se prodigiosamente o número de cobras e jacarés, e muitos diferentes bichos; até se vê uma ilha a que se chama Ambulante, de 200 braças de comprimento e 20 de largura, e com uma grossura de terra de 4 a 5 palmos, o que observei metendo uma vara, e onde há já arvores, a que chamam faveiras, de tronco de 5 polegadas de grossura, e com 20 palmos de alto; este nojento e perigoso charco se atravessa por um canal através daqueles balseiros, apenas de 10 palmos, tanta quanta bôca tem uma canoa.” Estes balseiros são muito curiosos e por isso vamos ocupar-nos com eles por alguns momentos.
Balsedo ou Balseiro — como alguns chamam, são massas ambulantes cobertas da mais bela vegetação, as quais parecem formadas  de estrume depositado sobre as raízes das plantas aquáticas que se trançam de forma tal a ponto de formar ilhas, que pelo inverno são ambulantes, e pela sêca ficam sentadas sobre o solo. Existem algumas destas ilhas, balsedos, em ponto muito pequeno, pois apenas tem 4 palmos de altura e algumas braças e menos de extensão, outras tão grandes que tem um solo de 15 palmos e mais de altura, com a extensão até de uma légua. Fronteiro à vila pelo lado de Oeste e Norte há uma grande balsedo chamado Juçara, que tem mais de meia légua. Na estação seca, quando o campo está inteiramente enxuto, sente-se em alguns lugares, indo-se a cavalo, como o ribombo de longínquo trovão: é sobre o balsedo que se anda. Pelo inverno os longos balsedos crescem, isto é, incham-se e os  pequenos flutuam à flor d`água. Nesse tempo, acontece muitas vezes que uma pessoa, ou animal vai andando pelo balsedo e de repente sente o solo abater-se, e se vê submergindo, correndo risco de vida, se não houver quem o ajude a salvar-se. È um fracasso semelhante ao que se dá sobre o gelo no norte da Europa. É proibido deitar-se fogo ao campo, porque o balsedo ardendo produz grandes males. Muitas vezes o fogo, minando o balsedo, não mostra vestígio nenhum por cima, e o gado passando por aqueles lugares vê-se de repente dentro do fogo, e assim morre. Além deste mal há outro não menos terrível, e é que as cinzas do balsedo fazem o quem produz a morte do peixe. Em 1867 queimaram um balsedo, que ardeu desde outubro ou novembro até à fôrça do inverno, quando as águas pluviais extinguiram o fogo. Informaram-nos que durante muitos meses a fumaça era tanta que vindo sobre a vila, escurecia-a a tal ponto que não se podia andar desembaraçadamente pelas ruas, e isto causava a toda a população grandes incômodo. Em dezembro de 1868 queimaram o balsedo que havia junto da vila, mas não sabemos se o fogo foi extinto pelas primeiras chuvas, ou se queimou todo. Há em alguns lagos balsedos tão sólidos, que tem juçareiras e buritizeiros. Perto da vil, em lugar chamado Encantado, há destes balsedos com buritizeiros, juçareiras e outras arvores, e pelo inverno mudam de posição, conforme o vento sopra. Contam-nos que às vezes o vento lança uma ilha de encontro a uma canoa e a retém apertada entre suas terras até que, soprando em contrário, alarga o caminho e ndá livre passagem à canoa! Há tempos contaram ao Reverendo Vigário de São Bento, Padre Zaqueu Francisco da Penha, que, pouco mais ou menos, no tempo em que se sentiu aqui na ilha do Maranhão um pequeno tremor de terra, ouviu-se um estrondo subterrâneo em um dos montes da vizinhança da chapada, e que depois de algum tempo deram com esse monte fendido de forma tal, que uma pessoa passa perfeitamente por dentro da fenda. O reverendo Vigário tendo ultimamente ido ao Pinheiro verificou por indagações ser este caso verdadeiro, e que o monte, que está fendido, é  da fazenda do Dr. Adolfo José Ascenso da Costa Ferreira. A Chapada que falamos é bem próxima à Vila de Pinheiro: nela existe o morro, que terá quando muito 300 braças  de altura, pouco mais ou menos, conhecido pelo nome de Peito de Moça; dizem os antigos moradores que é costume dele se desprenderem estrondos maiores ou menos frequência.
(FONTE: César Augusto Marques, Dicionário Histórico- Geográfico da Província do Maranhão, Cia. Editôra Fon-Fon e Seleta, Rio, Março – 1970,  páginas 571 e 572.)

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